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22 de Julho de 2017

Uma carta ao "Dotô Adevogado"

Descomplicar é preciso.

Eloy Banzi, Advogado
Publicado por Eloy Banzi
há 23 dias

Uma carta ao Dot Adevogado

Caro Dotô.

Lhe iscrevo purque tive arguma vergonha de fala pessoarmente, mas arguma coisa sucede e priciso disabafá.

Dispois que falei meu causo, o sinhô disse que pricisava entrar com uma tar de ação. Pircebi que o sinhô intendia bem do que tava falando, purque sempre falô umas coisas bunita e difícil. Mas ai que tá, dotô. Fiquei tão basbacado com as palavra difíciu, que saí só sorriso do iscritório, mas quando cheguei em casa, pircibi que que saí rindo, mas num intendi nada de nada.

A muié me pregunto como que foi com o Dotô, eu disse que foi tudo bem, que o dotô é muito bão e ia resorvê nossa pendenga. Mas aquilo fico dentro de mim, num intendi e resorvi lhe pregunta.

Te liguei quele dia, lembra? Pidindo umas expricação. O sinhô falô bunito dinovo, otra veiz fiquei bobo, mas o pobrema, Dotô... É que num intendi nada traveis. O sinhô falô que pricisava fazê um tal de piticionamento, que ia despacha arguma coisa. Fiquei té preocupado, num sabia que o dotô mexia com essas coisa de despacho não.

Então dotô, assim foi toda veiz que a gente se falava, o sinhô expricava e eu num intendia nadica. Pensei em ir ai traveis, mas imaginei que ia contecê dinovo. Ai eu resorvi te manda essa carta, purque anssim o sinhô pode se prepara mió pra lidá com eu.

Discurpa a dificurdade dotô, mas vô gradece muito se o sinhô pudesse expricá mais simpres pra nóis. Sei que o sinhô sabe fala bunito por dimais, mas comigo num carece disso não... Priciso msm só sabê pra que serve essa tar de ação.

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Caros colegas, vale muito a reflexão!

Muitas vezes a profissão nos leva ao vício do “juridiquês”, esquecemos que o cliente não tem obrigação de entender a linguagem utilizada no universo jurídico. Por isso é tão importante sabermos falar da maneira mais clara possível.

Comunicar-se não é falar bonito, mas ser compreendido.


Eloy Banzi - Advocacia

www.eloybanzi.adv.br

223 Comentários

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concordo plenamente.
muito boa reflexão.
Já dizia Einstein “Você não entende algo de verdade a menos que seja capaz de explicá-lo à sua avó” continuar lendo

Kkkkkkkkk..boa Einstein.. continuar lendo

Há médicos que também não facilitam para os pacientes.... Não é só o "juridiques"....há o "mediques" ... Norma culta sim, de forma acessível. Ótimo. continuar lendo

ohhhhhhhh!!!!! sociedade,kkkkk. de novo se ele faz também posso. não vi ninguem falar em médico.amigo: tente observar só oq lhe foi proposto nesse caso. meu amado pai sempre dizia a mim e meus irmãos; faz a tua parte, e deixa que os outros facão a deles. tá pai. e vou lhe dizer de coração: se nós sociedade nos preocuparmos cada um em fazer sua parte, acredito que amanha teremos um pais melhor.há! tendo em vista isso, acredito que não estaria mos como estamos hoje. abraços. rodrigo betat continuar lendo

sempre concordando e respeitando a opinião de cada um , acredito que em todas as areas existem profissionais que não facilitam para o cliente entender melhor, mas aqui o assunto é advogados e é muito dificil passar por uma situação na justiça ainda mais ter que ter um profissional que não lhe dê uma explicação da situação, as vezes chego a pensar ,funcionário público e advogado infelizmente um mal necessário não generalizando todos mas mediante a atitudes de alguns continuar lendo

Nos dias de hoje apenas uma coisa o advogado deve dizer ao seu cliente: Você tem 50% de chances e obter êxito e outros 50% de não obter. Simples assim. continuar lendo

Excelente! Eu particularmente não gosto muito do "jurisdiquês", nem mesmo em minhas peças. Desnecessário muitas vezes, melhor dizer exatamente o que se quer dizer. continuar lendo

Expressões em latim só para "enfeitar" a peça... continuar lendo

Diga sempre ao seu cliente que ele tem 100% de chances senão ele irá procurar outro advogado. continuar lendo

Flexibilidade!
Talvez essa seja a palavra para que não se perca a riqueza da língua portuguesa e nem os clientes.
O "juridiquês" tem seu lado bonito, se bem utilizado. continuar lendo

Também concordo. Tem seu lado elegante o juridiquês quando utilizado sem exageros. continuar lendo